Meu
Deus, como tem sido dolorido criar coragem para me responsabilizar pela minha
própria liberdade! Como venho sendo vítima de vários atentados com essa entrega
de escolhas a mim (justamente para mim, cuja única guerra que declarei foi
contra meu indivíduo). É um desconforto imenso, tão grande, querer voar e de
repente receber o céu inteiro. Dá até vontade de permanecer na gaiola, só por
gratidão. Eu, que sou bobo, acostumei-me a encontrar um infinito no pouco que
me foi dado. Também ser firme diante das vastas e difíceis impossibilidades
para ser, só para, com surpresa, encontrar uma brecha que possibilite um
pequeno espaço, um mísero instante daquilo que bilha nos olhos – há vaidade, há
coisas que se deseja sempre. De alguma forma, o que não agrada viver serve como
apoio para esses espaços e instantes aleatórios, meio banais e clichês, meio
flores de cactos. Eu bem mereço essa liberdade e a dor de consumi-la;
entregar-me-ei.
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