- Você me encontrou rápido. Estou com
medo dessa alegria repentina.
- Eu não te procurava. Estranho, não é?
- Muitíssimo. Eu também já não esperava,
penso que foi isso que fez você chegar rápido.
- E agora, o que a gente faz?
- Acho que nós ainda não falamos quem
somos.
- É... acho que também não queremos
saber. Acho que mesmo é que somos o que fazemos a partir de agora.
- Tu acredita mesmo nisso, na gente que
se gosta sem nem se conhecer?
- Acredito. E acredito, sobretudo,
porque quando olho nos teus olhos não estou querendo ver o que é meu, muito
menos o que me falta.
- E você me aceita assim?
- Aceito.
(Silêncio).
- Fala alguma coisa.
- Prefiro ouvir você falar.
- Tudo bem. Eu gosto do
silêncio.
- Eu também.
(Riso constrangido).
- Vamos?
- Vamos.
- Para onde?
- Não sei. Você quem me chamou.
- Pensei que você soubesse para onde
estava me levando.
- Parece doido, mas me sinto passageiro.
- Mas eu não sei para onde estou indo.
- É melhor quando a gente não sabe.
(Juntaram as mãos e voaram sobre o mar, deixaram-se
levar pela brisa entre a luz da lua, das estrelas e de seus reflexos).
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