sábado, 12 de julho de 2014

O que há de novo hoje

Estou no meio da escuridão e não estou fazendo poesia. Aquém do dia de hoje, estou em anos que já vivi, rogando pragas a mim mesmo por não ter prestado atenção àqueles segundos. No escuro, enxergo que de tanto procurar a felicidade nos anos imediatos, esqueci de perceber que naqueles segundos de surpresa encontrava-se a felicidade propriamente dita. Deveria ter agarrado e transformado em alguma coisa só daquele momento – se prolongasse mais a sensação, seria monotonia, não a alegria, a felicidade, sei lá.
Danço ao som das músicas que já me fizeram chorar, entristecendo-me. De algum modo, são todas atuais. Tão paradoxo esse sentimento de nostalgia, sufoca com lembranças de momentos que jamais pensávamos querer lembrar, momentos tão comuns que fazem tanta falta. É um castigo para aqueles que não admiram a beleza do comum que guarda certa excentricidade dentro de si. Nem tudo é puro comum. De qualquer modo, não importa se meus olhos embaçam, pois não enxergo nada no breu. Se tudo o que eu vi não vejo mais. Adiantei-me para quê?
Estou entre molduras. Que desgraça, que desgraça! Por que algo não pisca?  Por que eu pensei em piscar se eu iria sentir falta dos vagalumes que já cacei? Eu sou tão jovem, but not younger than yesterday. Desde quando eu me fui, deixei muita saudade para ser sentida pelo que ficou. E nem sei se ainda quero me encontrar, não achei nada do que procurava no futuro. Acho que o erro foi pensar que o tempo passava tão devagar. Que tinha algo para ser alcançado. Ah, não! Enquanto eu apenas pensava no que já vivi, perdi horas de um viver. No futuro vive o passado que se deseja. No amanhã desperta a saudade do hoje.

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