sexta-feira, 13 de junho de 2014

MAIS UMA PEDRA


Do que se trata isso? Sobre o que é dessa vez? Chegou-se ao ápice, ao cume, ao apogeu, qualquer outro sinônimo, como também ao poço, à baixo, ao fim. Porque ele vai dizer “eu acho chatíssimo, não vou mentir para você”. Tentou se convencer, ele jura por Deus, mas realmente acha entediante, não adianta suas explicações não condizentes com a vida. É um complexo que também se junta aos seus complexos íntimos. Você passou o dia fora hoje, até quando ele te procurou, você se colocou fora: acabo de perceber que você está indo para fora dele.
O dia demorou para passar, estava tudo escuro lá fora antes mesmo das cinco da tarde; o dia estava quente, nem uma gota de água caiu do céu,  nenhuma nuvem escondeu o sol. O sol escondeu você? Eu mesmo vou comprar as flores para enfeitar esses dias todos que parecem domingos.
Caso os conhecesse, escreveria um romance agora. Ainda, caso soubesse, escreveria algum romance que transcendesse algum drama meio meloso ou com um final triste: um romance sem final, nem triste nem feliz. Sem clímax também.  Que somente acontece, como este momento. Estou gerando um desfecho para os dias, não comprei as flores, você ainda não voltou, ele não está te esperando no quarto. Quem está com medo, quem tem medo?
Esse momento é do inconsciente, tem sua lógica. Não a nossa, embora, embora eu fosse dizer algo e tenha esquecido ou não saiba exatamente o que iria dizer. Meu peito está lotado de angústia, quem saboreia? Chupem. Estou cortando todos os “t” com muita velocidade e precisão, os cortes estão enormes, uma pauta inteira para cada "T". I’m taking me away from myself. Estou prestes, também, a colocar mais uma pedra em meu bolso. O dia de hoje pede uma pedra em cada bolso.

08 de junho de 2014.

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