Percebi da maneira mais avulsa que, sem
elaborados questionamentos, existe uma pausa no tempo que se estende no espaço.
Faz-se clichê a expressão “preso no tempo e no espaço”, mas quem diria o
contrário ao lembrar – talvez, lembrar não fique adequado; definitivamente, não
se pode lembrar com clareza. Beira mais no aspecto de sentir, de desconfiar da
presença de algo que faz um movimento inside
out – daquilo que não se sabe e que pode colocar a alma em paralisia?
Aquilo, daquilo, enfim; dor ou não, existe uma pausa, onde só os deuses da
metafísica sabem, no presente contínuo. É um susto engraçadíssimo,
principalmente quando se solidifica, estagnando-se: um susto que, em seu movimento, se repete e nunca para.
O
caso que me referia nem o sei mais dizer. Seja lá o que é-foi, simplesmente atuo-o
sem saber que o lembro. Eu não lembro agora, mas o fato está lá, pul-san-do. Há
uma forte força querendo romper o atrito, um negócio, uma coisa lá dentro que
em uma hora qualquer irá transpor três dúzias de barreiras. O como
e o porquê, eu não sei. Se os soubesse, não estaria gastando ponteiros pelo
certo. O excitante mistério faz querer fechar os olhos em divãs... rego as fantasias
que se realizam além do que é esperado e nunca visto quando chega: I can’t
get no satisfaction, baby.
Estou
satisfeito por sentir essa vidinha desvairada e
confusa, anônima de si, que às vezes se desumaniza. Estou contente por
simplesmente não ser "eu", por nem ao menos querer perder a essência mágica na
mensuração do autoconhecimento. Este é preço pago por existir – quase
tranquilamente – e amar; mantém-me respirando. Ainda acredito que o desejo de viver
ultrapassa a garantia de segurança, abre brecha para enfrentar o
desconhecido; assusta. Aqui para nós, a angústia de não saber o porquê de estar
preso no tempo e no espaço é o que movimenta as mais belas expressões do buscar
sentir-se vivo.
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