terça-feira, 30 de outubro de 2012

PÓS-RITUAL

           [...]Arrastado para fora de uma linha, quase se deslocando do que é "não-se-sentir" até o "sentir-se". Em meio ao girar, sons do corpo, palavras sem nexo, anexo, há nexo: morrendo. O cordeiro foi sacrificado! Porém só sentiu a dor do punhal entrando quando caminhou, deixando o sangue escorrer pelo asfalto de todos os dias. O corte, que deveria somente degolá-lo, desceu do pescoço ao estômago. Não era só a fome que roía por dentro, como vazio. Os dejetos foram arrancados para fora para só então poderem ser (re)ingeridos, de outra forma: um pouco do mesmo, só que atualizado. Se há luz ou falta dela, os olhos deixaram de perceber, porque até deixou de ser significante. O (não) sentir passou a reinar. Pelo menos até abrir o portão: abandonando as desregras, a consonância dos "não-eu's". Aquela merda fodida fundida estava se desfazendo para voltar a um eu anti-gente de um agente ou gente ou a-gente. Deixamos as formas em vazio, porque o gás foi preencher outro objeto (dejeto). Ou talvez foi preencher só mais uma nuvem que ia passando com seu indiferente silêncio pelo céu [...].


 É parte de um texto que surgiu após a
experiência de um "ritual para o dia das
bruxas", que foi feito entre alguns amigos.
Um momento muito divertido e que resultou
em diversos sentimentos - até aqueles que
não podem ser escritos.

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