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comigo não depende do que permito, mas da bolha. Não é o caso de loucura ou de
uma postura de afastamento. É uma preservação do controle emocional, é
consequência do aconchego que beirou a indiferença.
“Vai, louco! Pedras não
têm coração”, disseram-me certa vez. Achei uma falta de consideração com as
pedras. Ora, que absurdo! As pedras são tão dotadas de coração que se
petrificam ao ponto de buscar proteção sob o concreto. Tudo bem que não há um
fluído amor percorrendo sobre suas ligações, exceto naquelas pedras que vivem
em contato com a água corrente – e que triste estas pedrinhas! O amor corre por
elas, levando a vida aos poucos. O líquido amor passa por elas, destruindo-as;
e elas tão atenciosas, pra não dizer masoquistas, ficam paradas para que sempre
corra um amor passageiro em suas faces.
Mas o sentimento pedra
não para por aí. Elas pulsam. Há um coração pulsando para cada brilhante pedra
urbanizada; algo como capitalismo das emoções. O falso amor dos entreolhares
vindo das ambições modernizadas. Pobres corações. De novo a pedra; tão
metafórica.
E a bolha sabe. Não foge
aos céus, não estoura. Quem irá me partir outra vez? Ser quem eu sou para que
possas entrar em mim não depende da criação da nossa relação, mas da bolha,
pedra de proteção: cápsula de razão com 30mg de emoção.
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