quarta-feira, 29 de abril de 2015

UM SOPRO

Meu Deus, como tem sido dolorido criar coragem para me responsabilizar pela minha própria liberdade! Como venho sendo vítima de vários atentados com essa entrega de escolhas a mim (justamente para mim, cuja única guerra que declarei foi contra meu indivíduo). É um desconforto imenso, tão grande, querer voar e de repente receber o céu inteiro. Dá até vontade de permanecer na gaiola, só por gratidão. Eu, que sou bobo, acostumei-me a encontrar um infinito no pouco que me foi dado. Também ser firme diante das vastas e difíceis impossibilidades para ser, só para, com surpresa, encontrar uma brecha que possibilite um pequeno espaço, um mísero instante daquilo que bilha nos olhos – há vaidade, há coisas que se deseja sempre. De alguma forma, o que não agrada viver serve como apoio para esses espaços e instantes aleatórios, meio banais e clichês, meio flores de cactos. Eu bem mereço essa liberdade e a dor de consumi-la; entregar-me-ei.