Queria conhecer uma
língua que expressasse aquilo que tenho a dizer. Pode até ser em poucas
palavras, tirando a sensação de não ser compreendido quando falo. Tudo que digo
pare de ser conteúdo refratado do que quero dizer, eu quero falar uma linguagem
pura, sem embaraço de figuras de linguagem.
Preciso me comunicar
comigo mesmo, mas não estou conseguindo apreender nada do que penso dizer, como
se todas as coisas que disse fossem assaltadas da minha boca, seus significados
levados embora. Restou-me o sentido que não pode ser dito. Minha força está
presa aí. Simplesmente não enxergo minha força de querer, porque não sei dizer
o que quero.
Anseio dizer querer muita
coisa. E não digo absolutamente nada. Creio estar ficando sufocado na lacuna. Ainda
não sucumbi por ter meus modos desajeitados de fingir força que não tenho, que
também tiro não sei de onde – do meu potencial inerente de ser homem, quem
duvida?!
Tenho medo de
desaprender a querer, pois meu desejo como gente que deseja não está querendo
muita coisa ultimamente; como pode? Quando percebo que estou desejando, logo
fico fadigado, apresentando uma indisposição com uma vontade de chorar com os
olhos secos de lágrimas. Até chorar tem sido agonizante. De tanto que tentei
dizer o que queria e ninguém saber o que eu estava dizendo, estou parando de
querer.
Ah, também não ando
mais me comunicando por escrito, pois quando penso que estou escrevendo uma
palavra, vejo que estou escrevendo outra que nem sempre existe na língua
portuguesa ou em qualquer outra língua. A única coisa que ainda consigo
expressar é que estou perdido – tem gente que já esteve e toca meu ser. Ao menos
não estou só, mesmo que me sinta solitário.