terça-feira, 17 de junho de 2014

O QUE A GENTE NÃO SABE DIZER

Queria conhecer uma língua que expressasse aquilo que tenho a dizer. Pode até ser em poucas palavras, tirando a sensação de não ser compreendido quando falo. Tudo que digo pare de ser conteúdo refratado do que quero dizer, eu quero falar uma linguagem pura, sem embaraço de figuras de linguagem.
Preciso me comunicar comigo mesmo, mas não estou conseguindo apreender nada do que penso dizer, como se todas as coisas que disse fossem assaltadas da minha boca, seus significados levados embora. Restou-me o sentido que não pode ser dito. Minha força está presa aí. Simplesmente não enxergo minha força de querer, porque não sei dizer o que quero.
Anseio dizer querer muita coisa. E não digo absolutamente nada. Creio estar ficando sufocado na lacuna. Ainda não sucumbi por ter meus modos desajeitados de fingir força que não tenho, que também tiro não sei de onde – do meu potencial inerente de ser homem, quem duvida?!
Tenho medo de desaprender a querer, pois meu desejo como gente que deseja não está querendo muita coisa ultimamente; como pode? Quando percebo que estou desejando, logo fico fadigado, apresentando uma indisposição com uma vontade de chorar com os olhos secos de lágrimas. Até chorar tem sido agonizante. De tanto que tentei dizer o que queria e ninguém saber o que eu estava dizendo, estou parando de querer.
Ah, também não ando mais me comunicando por escrito, pois quando penso que estou escrevendo uma palavra, vejo que estou escrevendo outra que nem sempre existe na língua portuguesa ou em qualquer outra língua. A única coisa que ainda consigo expressar é que estou perdido – tem gente que já esteve e toca meu ser. Ao menos não estou só, mesmo que me sinta solitário.

sexta-feira, 13 de junho de 2014

MAIS UMA PEDRA


Do que se trata isso? Sobre o que é dessa vez? Chegou-se ao ápice, ao cume, ao apogeu, qualquer outro sinônimo, como também ao poço, à baixo, ao fim. Porque ele vai dizer “eu acho chatíssimo, não vou mentir para você”. Tentou se convencer, ele jura por Deus, mas realmente acha entediante, não adianta suas explicações não condizentes com a vida. É um complexo que também se junta aos seus complexos íntimos. Você passou o dia fora hoje, até quando ele te procurou, você se colocou fora: acabo de perceber que você está indo para fora dele.
O dia demorou para passar, estava tudo escuro lá fora antes mesmo das cinco da tarde; o dia estava quente, nem uma gota de água caiu do céu,  nenhuma nuvem escondeu o sol. O sol escondeu você? Eu mesmo vou comprar as flores para enfeitar esses dias todos que parecem domingos.
Caso os conhecesse, escreveria um romance agora. Ainda, caso soubesse, escreveria algum romance que transcendesse algum drama meio meloso ou com um final triste: um romance sem final, nem triste nem feliz. Sem clímax também.  Que somente acontece, como este momento. Estou gerando um desfecho para os dias, não comprei as flores, você ainda não voltou, ele não está te esperando no quarto. Quem está com medo, quem tem medo?
Esse momento é do inconsciente, tem sua lógica. Não a nossa, embora, embora eu fosse dizer algo e tenha esquecido ou não saiba exatamente o que iria dizer. Meu peito está lotado de angústia, quem saboreia? Chupem. Estou cortando todos os “t” com muita velocidade e precisão, os cortes estão enormes, uma pauta inteira para cada "T". I’m taking me away from myself. Estou prestes, também, a colocar mais uma pedra em meu bolso. O dia de hoje pede uma pedra em cada bolso.

08 de junho de 2014.