sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Pré-fuga

Fugi, embora ame o que é adverso, embora meu corpo tenha permanecido paradinho por lá. Eu não morri, adianto que essa não é uma experiência após a vida. Sabe quando você nunca esteve no lugar onde estava? Não é preciso empatia para saber. Eu fugi por ter caído na transferência. Na verdade, está além disso, eu fugi por culpa pelo abuso que sentia de alguém que não era o alguém do meu abuso, mas que eu jogava todo o sentir em cima dele. Os dois estavam se olhando, cara a cara, como se um estivesse na frente do espelho e o outro fosse o reflexo do futuro.  Isso, eu fugi da projeção futurística do outro, e agora não os suporto. Foi a medida mais apropriada, com as palavras grifadas no papel. Agorinha estou com raiva da fuga, como se houvesse uma forma de correr do sintoma! Eu não sou covarde, só não estava dando o que era de César ao próprio César. Eu tinha muito a dizer, mas a palavra me escapou sem que eu tivesse mordido a isca. 

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