Fugi,
embora ame o que é adverso, embora meu corpo tenha permanecido paradinho por lá.
Eu não morri, adianto que essa não é uma experiência após a vida. Sabe quando
você nunca esteve no lugar onde estava? Não é preciso empatia para saber. Eu fugi
por ter caído na transferência. Na verdade, está além disso, eu fugi por culpa
pelo abuso que sentia de alguém que não era o alguém do meu abuso, mas que eu
jogava todo o sentir em cima dele. Os dois estavam se olhando, cara a cara,
como se um estivesse na frente do espelho e o outro fosse o reflexo do
futuro. Isso, eu fugi da projeção
futurística do outro, e agora não os suporto. Foi a medida mais apropriada, com
as palavras grifadas no papel. Agorinha estou com raiva da fuga, como se houvesse
uma forma de correr do sintoma! Eu não sou covarde, só não estava dando o que
era de César ao próprio César. Eu tinha muito a dizer, mas a palavra me escapou
sem que eu tivesse mordido a isca.
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