sábado, 12 de setembro de 2009

BOLHA

Entrar em contato comigo não depende do que permito, mas da bolha. Não é o caso de loucura ou de uma postura de afastamento. É uma preservação do controle emocional, é consequência do aconchego que beirou a indiferença.
“Vai, louco! Pedras não têm coração”, disseram-me certa vez. Achei uma falta de consideração com as pedras. Ora, que absurdo! As pedras são tão dotadas de coração que se petrificam ao ponto de buscar proteção sob o concreto. Tudo bem que não há um fluído amor percorrendo sobre suas ligações, exceto naquelas pedras que vivem em contato com a água corrente – e que triste estas pedrinhas! O amor corre por elas, levando a vida aos poucos. O líquido amor passa por elas, destruindo-as; e elas tão atenciosas, pra não dizer masoquistas, ficam paradas para que sempre corra um amor passageiro em suas faces.
Mas o sentimento pedra não para por aí. Elas pulsam. Há um coração pulsando para cada brilhante pedra urbanizada; algo como capitalismo das emoções. O falso amor dos entreolhares vindo das ambições modernizadas. Pobres corações. De novo a pedra; tão metafórica.

E a bolha sabe. Não foge aos céus, não estoura. Quem irá me partir outra vez? Ser quem eu sou para que possas entrar em mim não depende da criação da nossa relação, mas da bolha, pedra de proteção: cápsula de razão com 30mg de emoção.