segunda-feira, 21 de outubro de 2013

AMOR SECRETO

Ela tinha nome de lua em inglês. A primeira vez que a vi eu tinha por volta dos treze ou catorze anos, auge de tanto desejo e tanto hormônio e tanto fogo. Não era mais virgem, mas também não me sentia como se não fosse, tinha sede e mais sede de sexo como se nunca o tivesse feito, porque, de fato, ainda não tinha considerado como se tivesse fodido. Eu era virgem, embora já tivesse trepado. Mas isso não vem ao caso. O nome, como disse, era Moon, nome artístico, de atriz.
Lembro bem da primeira vez que a vi, na casa de uma amiga de minha mãe. Vi sem poder ver; proibida para mim, vi toda sua nudez. E um cara metendo em todos os seus buracos. Desde então, sempre que possível, via Moon sendo tomada por aquele cara – querendo fazer parte daquilo. Não sei quantas vezes eu vi, mas acredito que muitas vezes em um período de um ano, até eu substituí-la ou parar de ver por me sentir culpado, essas coisas que parecem tão fortes na adolescência.
Moon veio à cabeça hoje, senti falta de quando me masturbava olhando para aquele pau grosso entrando em sua vagina, ou em seu ânus. Até invejava o cara. Ela não era bonita, mas tinha algo que atraía, estava além da sensualidade que vendia. Hoje, como já não tinha mais como vê-la da forma como antes, procurei sua carreira pela internet. Então tomei um susto.
Moon morreu dois anos atrás, não tive coragem de procurar a causa de sua morte. Fiquei tão chocado que não consegui me masturbar ao ver seus filmes, nem mesmo aquele que vi pela primeira vez. Como se algo dentro de mim também estivesse morrido, embora acredite em um movimento inverso.
Comecei a ter curiosidade para saber a mulher que era Lindsay – de seu personagem, sabia o necessário, que dava por dinheiro e prazer. Mas não tive coragem para pesquisar sobre a Lindsay, não tenho. Se de fato morreu, também não quero saber. Acho mesmo é que fiquei impressionado ou me sentindo culpado por querer me masturbar vendo uma mulher que já foi enterrada.
Aqueles sentimentos de culpa da adolescência juntando-se com a palavra necrofilia. Será que eu se eu um dia tivesse conhecido pessoalmente Moon eu teria tido meu momento de Solfieri? Masturbei-me algumas horas depois vendo o mesmo vídeo de Moon que vi pela primeira vez. Ora sentia nojo da necrofilia em meus pensamentos, ora sentia-me só um adolescente explodindo de vontade de trepar.
De um momento para o outro, depois da goza, tudo fica tão aguçado. Talvez eu não estivesse com vontade de ver a atriz dando, talvez eu só quisesse ver o pau do ator, sabe-se lá. Tive nostalgia de algo que não me pertenceu: Moon pode até ter morrido, mas eu estou aqui inteirinho. E cheio de intenções.